Olá, queridos.
É tão difícil ficar guardando tudo que tenho pra falar (e não é pouco). Depois de uma semana tão maluca, venho compartilhar com vocês as minhas experiências do último ensaio. As meninas, minhas nenas queridas, já contaram a versão delas. Minha vez!
O encontro da semana passada trouxe de volta uma tradição antiga nossa (uma das minhas favoritas) e que abandonamos em 2010. Costumávamos dedicar um tempo do ensaio para ler poemas, trechos de livros ou músicas que traduzissem os sentimentos da semana. Parece tão difícil, né? E é mesmo. Muitas vezes você se vê diante de milhares de possibilidades e, de vez em quando, não tem nada! É um trabalho árduo transformar uma sensação em algo palpável, como palavras. Esse é o momento da emoção, o que não quer dizer que choramos toda semana (só de vez em quando). Na verdade, esse é o intervalo que dedicamos à nossa sintonia. É o momento do grupo dividir o que passou naquelas horas em que não estávamos juntos. Eu escolhi para a semana passada um texto do livro "Tigre de Veludo" do poeta americano E.E. Cummings. O pedacinho falava sobre a intensidade do amor, da plenitude do sentimento e também da possibilidade do fim de tudo isso. Em seguida, li uma página de "A Paixão Segundo G.H.", coisa que surpreenderia a maior parte dos meus amigos, já que tenho uma aversão declarada por Clarice Lispector, autora do livro. Há alguns anos, li "A Hora da Estrela" da mesma escritora e achei péssimo. G.H. mudou a minha opinião. Além disso tudo, G.H. me entendeu (coisa que poucos andam conseguindo ultimamente). Clarice me explicou a dor e a delícia de amar (algo que, cá entre nós, venho descobrindo).
Bom, mas sem nostalgia. Depois da leitura, assistimos alguns episódios de "Malu Mulher", o seriado televisionado pela Rede Globo no final da década de 70 e início de 80. Regina Duarte faz o papel da protagonista, uma mulher que tem que reaprender a viver depois do seu divórcio. Trinta anos depois e o tema mais atual que existe. Surpreendente, né? Recomendado para os apaixonados pela arte, especialmente pela aula de atuação dada por Marília Pêra e Gianfrancesco Guarnieri. Adorei!
A direção sugeriu, então, um exercício sensacional. Era hora de "colocar em prática" todas as emoções e situações discutidas anteriormente. A proposta era de um exercício sinestésico. Deveríamos sentir a música ouvida. "Como se movimenta o desespero, o amor, a alegria?", "Quero ver o azul em seu corpo!" O amor em um gesto, as mãos que constróem a imagem da tristeza. No final, mesmo sem ar, com as mãos doloridas e alguns roxos espalhados pelos corpo (me empolguei no exercício. Coloquei pra fora toda a intensidade e ahhh, como isso era necessário!), senti profunda satisfação e prazer em poder ter essa experiência.
No final do ensaio, me peguei tendo o mesmo pensamento que tenho há meses: todos deveriam ter a chance de participar de um ensaio de "Coração Bazar". É tão único. Os ensaios conseguem revitalizar, energizar a todos. A alma sai diferente: leve, flexível, aberta ao novo. Sinto profunda gratidão em poder ter essa experiência. Sou grata por tudo isso. Pelas meninas maravilhosas, as minhas nenas queridas, que me entendem pelo olhar, por um suspiro e não medem esforços para me ajudar. Pela direção, que já é mais do que família, e que exige cada vez mais, reconhecendo nossos medos e aflições mais escondidas. Pelo texto de "Coração Bazar" (e todos os seus autores), que, quando compreendido, ilumina tantas partes da vida. Pela querida madrinha, Regina Duarte, que nos deu essa chance e acompanha ainda o processo. Por todos aos que foram assistir e apoiaram sempre (pais, irmãos, amigos, namorados e etc).
Obrigada, "Coração Bazar" e Lasnenas, por me fazerem cada dia mais feliz. E mais completa.
Com amor,
Isabella
Mostrando postagens com marcador Regina Duarte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Regina Duarte. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Apresentação Confirmada!
O Grupo Lasnenas de Teatro tem o prazer de postar que estará em cartaz no Teatro VIVO, participando do projeto VIVO EnCena com o espetáculo "Coração Bazar".
As apresentações serão nos dias 04/09, 11/09, 18/09 e 25/09 ás 16h00.
E haverá um bate papo no final das apresentações das 17h00 ás 18h00.
Não percam!
O texto de Coração Bazar é uma coletânea de prosa e poesia feita por Regina Duarte e José Possi Neto. Oito atrizes dão vida a personagens que se revelam através dos versos de famosos poetas como Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.
Como "aperitivo", aqui vai um trechinho:
"Trago dentro do meu coração,
como num cofre que se não pode fechar, de cheio,
todos os lugares onde estive,
todos os portos a que cheguei,
todas as paisagens que vi,
todas as pessoas que amei...
E tudo isso, que é tanto,
é pouco para o que quero.
Não sei se sinto demais ou de menos, não sei...
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque de tão interessante que é,
a todos os momentos, a Vida,
chega a doer, a enjoar,
a cortar, a roçar, a ranger,
a dar vontade de dar gritos, de dar pulos,
de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas, de todas as sacadas,
e ir ser, selvagem, para a morte!
Vi todas as coisas, maravilhei-me de tudo,
E tudo... ou sobrou ou foi pouco.
E eu sofri. "
(PASSAGEM DAS HORAS – Fernando Pessoa)
As apresentações serão nos dias 04/09, 11/09, 18/09 e 25/09 ás 16h00.
E haverá um bate papo no final das apresentações das 17h00 ás 18h00.
Não percam!
O texto de Coração Bazar é uma coletânea de prosa e poesia feita por Regina Duarte e José Possi Neto. Oito atrizes dão vida a personagens que se revelam através dos versos de famosos poetas como Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.
Como "aperitivo", aqui vai um trechinho:
"Trago dentro do meu coração,
como num cofre que se não pode fechar, de cheio,
todos os lugares onde estive,
todos os portos a que cheguei,
todas as paisagens que vi,
todas as pessoas que amei...
E tudo isso, que é tanto,
é pouco para o que quero.
Não sei se sinto demais ou de menos, não sei...
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque de tão interessante que é,
a todos os momentos, a Vida,
chega a doer, a enjoar,
a cortar, a roçar, a ranger,
a dar vontade de dar gritos, de dar pulos,
de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas,
de todas as lógicas, de todas as sacadas,
e ir ser, selvagem, para a morte!
Vi todas as coisas, maravilhei-me de tudo,
E tudo... ou sobrou ou foi pouco.
E eu sofri. "
(PASSAGEM DAS HORAS – Fernando Pessoa)
Marcadores:
autores,
Coração Bazar,
EnCena,
Fernando Pessoa,
José Possi Neto,
Regina Duarte,
VIVO
Assinar:
Postagens (Atom)